quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Momentos - 2018

Quem leu o meu romance “Para Além do Tempo” lembrar-se-á que termino com a seguinte frase – “A felicidade são momentos”. Esta continua sendo a minha convicção, pois a vida é composta por momentos, distintos uns dos outros, todos, fazendo a vida que vivemos. Depois de muitas décadas de bons e maus momentos e, analisando este ano de 2018, considero-o um ano de muitos bons momentos. Construí amizades para a vida. Publiquei o meu quinto livro, mesmo sabendo que amanhã só a família lhe pegará, é um sonho que também vou conquistando aos poucos. A saúde, se pensar nas décadas já vividas, até está muito boa, também não me deu problemas de maior. Sou beijoqueira por natureza, talvez porque em miúda a minha mãe me deu muitos beijos. Este ano dei e recebi muitos beijos, sinceros e verdadeiros. Dei e recebi abraços, daqueles que se sentem, saídos de corações puros. Amei e fui amada. Enfim, analisando, quase tudo foi bom. Falhou apenas, ter-vos mais comigo, assim o ano seria perfeito. Porque: “A felicidade são momentos”. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 27-12-2018

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Porquê?!

Há amigos… amigos…. e… amigos… Para mim a amizade é ser feliz com a felicidade do outro, só assim concebo a verdadeira amizade. Ao longo de todo o meu percurso profissional, das minhas amizades, criei inimizades. Nem todas, é evidente, porque como escrevi acima, há amigos… amigos e amigos. Não porque tenha directamente contribuído para que houvesse essa transformação de sentimento, apenas e só, porque me deram um degrau para subir e eu subi esse degrau, e porquê eu?! E porque não eu?! Entrei neste mundo das palavras em Julho de 2009, criei amizades que considerei serem verdadeiras e para a vida. Disse várias vezes que neste “mundo” não existiam rivalidades ou invejas, havia sim, entre ajuda e cumplicidade. Como me enganei!! Sem me aperceber degrau a degrau fui subindo o que me foi sendo “dado”, não pelos meus lindos olhos, acredito em mim e no dom que Deus me deu. Sei o que posso e consigo fazer. Sei quem sou e o que sou. Continuei sendo a mesma pessoa, com 1,60 mt. de altura mas, passei a ser um pouco maior e, criei inimizades. Afinal enganei-me, no mundo das palavras também há inveja. PORQUÊ EU?! E PORQUE NÃO EU?! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 26-10-2018

13 de Outubro de 2018

OS SONS DO SILÊNCIO “foram tantas as emoções que eu vivi” Assim diz a canção de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, e reflecte exactamente o que eu vivi no passado sábado, dia 13 de Outubro.. Tive comigo, quase toda a família, num abraço em que o sangue falou bem alto. Amigos de longa data, dos tempos em que os numeros nos uniam, neste dia, foram as palavras que nos uniram. Amigos de alguns anos, unidos pelas palavras. Amigos recentes que me honraram com a sua presença. E possivelmente, até me parece que sim, amigos que estiveram presentes apenas porque, enfim… cuscar… ou, não parecer mal… ENFIM! Sala cheia, pessoas de pé. Ninguém desistiu e o meu coração ficou cheio de felicidade. Surpresas! Muitas e boas surpresas! Senti nos abraços o calor da amizade. Senti nas palavras o valor do sentimento. Agradeço a Deus ser quem sou. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 26-10-2018

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Hoje Vou Falar de Ti

Hoje vou falar de ti. Sim, de ti que te dizes de amigo/a. E porque escrevo “dizes”? Eu explico. Sou convidada para colectâneas/antologias, para convívios, para vários tipos de eventos, se a minha resposta for positiva, tenho de imediato retorno – obrigada/o amiga, vou gostar de te ver, até lá; o pior é quando a resposta é negativa, pois é, do outro lado não há qualquer retorno. Eu compreendo, não houve tempo para responderem, ou possivelmente, não viram a minha resposta, que até foi negativa, mas, como não viram, até estão à minha espera. Pois é… Amigos destes é o que há mais, infelizmente. Mas também há o inverso, sou eu quem convida e nem uma resposta obtenho, seja positiva ou negativa, penso que todas merecem retorno. Enfim, já não se fazem amigos como antigamente. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 10-10-2018

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Enfim... Já Não Sei Que Faça...

Desta vez, antes de me meter à estrada enviei um email para o S. Pedro, avisando-o que ia de novo tentar matar o desejo de molhar os pés no Rio Mira, e, ao mesmo tempo, solicitando encarecidamente que não se esquecesse que em Portugal ainda é Verão. Não obtive resposta. Enviei então, um SMS, nada, tentei o Messenger, o whatsapp, enfim, utilizei tudo o que a tecnologia me permite e nada de resposta. Pensei, se calhar é melhor voltar ao antigamente, então, escrevi uma carta, não resultou, um telegrama e nada. Pensei, pensei, e depois de muito pensar, já quase com os neurónios a fazerem faísca, cheguei à conclusão de que poderia meter-me a caminho. Pois, quem cala consente e, se S. Pedro estava calado, sem me responder, era porque acedia ao meu pedido e o Verão, que este ano anda arredio, chegaria, nem que fosse só para mim. Bem pensado, melhor feito, e a distância encurtou-se no rodar do carro pelas estradas do nosso Alentejo. Senti na pele o calor do Verão alentejano, que bom, desta vez fui ouvida, ou lida não sei. Como me enganei! Como diz o velho ditado, foi sol de pouca dura e, em dez dias nas praias da nossa maravilhosa Costa Vicentina, em nenhum deles houve Verão, talvez nuns três deles, tenha havido uma Primavera fria. Passeei, comi, bebi, numa tentativa de me controlar e perdoar ao S. Pedro. Foi muito bom, mas praia, talvez para o ano, se o dito, não me voltar a trocar as voltas. Dúvida – Será que lá em cima há internet? Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 10-09-2018

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Palácio Baldaya

Durante mais de trinta anos percorri o mesmo caminho de casa ao trabalho e vice-versa. Quando o tempo estava bom, parte dele, era feito a pé, umas vezes pela estrada principal, outras, pela rua paralela. Umas vezes acompanhada, outras, sozinha, divagando pela minha vida, pelos sonhos desfeitos e pelos outros, os sonhos mal feitos. Quando caminhava pela estrada principal, entretinha-me a ver as montras, principalmente as de pronto-a-vestir. Vaidosa? Sim, talvez. Sempre gostei de me ver bem vestida, mesmo que fosse, e seja, com roupa de baixo custo. E passava… e passei… centenas de vezes por aqueles muros, por aqueles portões, por ambos os caminhos, os encontrava, e nada me diziam. Eram apenas muros e portões de mais um laboratório, que tal como todos os laboratórios fazia investigação, este, particularmente este, fazia investigação veterinária. Deixei de por diariamente lá passar, também o laboratório deixou de lá funcionar. Continuei a passar esporadicamente, nem sequer ligava aos pormenores do edifício, quase abandonado ao tempo, que continuava a passar, até que numa das vezes reparei que andavam a pintar portas e janelas, e mais obras lá por dentro. Casualmente no dia 29 de Abril de 2017, passei e a porta que dá para a tal estrada principal, estava aberta. Entrei, foi o primeiro de muitos dias em que lá entrei e entrarei. As obras foram progredindo, até se encontrar, finalmente aberto ao público, para as mais diversas situações, entre elas, as tertúlias e os saraus poéticos, da empresa In-Finita. De quinze em quinze dias, lá estamos reunidos para mais uma manhã de amizade e poesia. E, as antigas instalações do laboratório nacional de investigação veterinária, era afinal um palácio, que em boa hora foi recuperado pela junta de freguesia de Benfica. Hoje, já com cara lavada, está aberto todos os dias, para gaudio de quem por lá passa. Majestoso e imponente o Palácio Baldaya. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 29-08-2018

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Chamava-se Maria

Chamava-se Maria, mas não gostava que a chamassem de Maria. Naquela época, eram tratadas por Maria, mesmo que o seu verdadeiro nome, não fosse Maria, as sopeiras, as criadas de servir, as chamadas, hoje, de, empregadas domésticas. Quem a tratava de Maria sabia bem porque o fazia. Era uma forma desprestigiante de a menosprezar. E a Maria que era menina, sentia-o. Sentia-se. Era uma menina introvertida, envergonhada e triste. A menina, a Maria, foi crescendo sempre com a sua auto estima muito em baixo, sentindo-se sempre inferior a quem a rodeava. Desde muito menina que lhe foi incutida essa inferioridade. E a menina cresceu mais e aos poucos foi-se libertando desse sentimento. Custou. Custou-lhe muito mas conseguiu. A Maria menina – mulher, ultrapassou todos os seus receios , tornou-se confiante em si mesma, e hoje a Maria, chama-se MARIA. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 16-08-2018

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Doutores e Outros Senhores

Doutores e outros senhores! Ter ou não ter um canudo, seja por mérito, ou por aquisição, não faz com que uma pessoa seja mais ou menos culta, que outra que não tenha tido a possibilidade de o obter, por mérito ou por aquisição. No entanto, há quem pense que sim. Acho imensa piada aos que quando se apresentam, antecedem o nome com o canudo, por exemplo – sou o doutor fulano de tal… sou o engenheiro fulano de tal… e por aí fora. Também nos representantes das forças armadas, há esse tipo de pessoas, em que o canudo antecede o nome – sou o general fulano de tal… sou o comandante fulano de tal… etc. etc. Acho graça a este tipo de pessoas. E não é que já deixei algumas a olharem para mim sem palavras para me responderem. É verdade, podem crer. Havia um certo doutor, não sei em que era doutorado, mas apelidava-se de – eu sou o doutor fulano de tal… ora bem, este senhor de cada vez que entrava na loja do meu marido, sem cumprimentar, dizia – diga os senhor Victor que está aqui o doutor fulano de tal, isto aconteceu uma vez, duas vezes, à terceira vez, assim que ele entrou e antes que dissesse que era o doutor fulano de tal, eu disse, depois de o cumprimentar, um momento eu chamo já o doutor dos sofás. De olhos esbugalhados e sem palavras, limitou-se a esperar que o doutor dos sofás aparecesse. Voltou lá mais vezes mas, nunca mais se apelidou de doutor. Se todos estes doutores e outros senhores, apanhassem pela frente, de vez em quando, uma Antonieta, talvez se habituassem a deixar em casa, os ditos canudos, sejam eles por mérito ou por aquisição. Tenho dito! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 09-08-2018

domingo, 5 de agosto de 2018

Coitado do S. Pedro

Oh S. Pedro, como eu te compreendo! Tramaste-me, eu sei, mas já te perdoei. Que confusão deve ir na tua cabecinha, mandaste-nos tempo ameno e todos refilámos, alguns até ajoelharam pedindo chuva, pois a seca era inevitável, as albufeiras estavam vazias, as barragens também, enfim, tínhamos que fazer contenção nos gastos de água. Mandaste chuva, já fora de tempo, mas mandaste, todos reclamámos, pois até as minhas mini férias estragaste. Pedimos tempo bom, sol e calor para umas férias “relaxadas” nas lindas praias do nosso Portugal. Ouviste e mandaste o que pedimos, sol e calor. E agora do que reclamamos?! Agora todos reclamamos o calor intenso, fora do nosso controle. Intenso! Demais! É que assim nem dá para sair de casa. E a praia? Pois é, só mesmo dentro de água. Oh S. Pedro, não queremos tanto calor. Espera, vai devagar, não mandes ainda, chuva e frio, ainda quero passear à beira mar. Coitado do S. Pedro, como eu o compreendo. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 05-08-2018 -

terça-feira, 24 de julho de 2018

A Vida e as Escolhas da Vida

A vida é feita de escolhas. Por vezes até penso que escolhemos onde e em que família, queremos nascer. Depois ao longo do percurso vamos selecionando a família e criando outra, a família dos amigos. Também dos amigos, ao longo da vida, fazemos as nossas escolhas. Uns mais, outros menos, e outros ainda, deixam de o ser. Escolhemos a profissão, no entanto, em muitos casos, não a executamos. Ou porque, não temos hipótese monetária de chegar lá, ou porque temos mas, na altura de a executar, o mercado de trabalho, não nos dá a possibilidade de a exercer. Também escolhemos com quem viver o resto dos nossos dias. Nem sempre acertamos, alguns fazem várias escolhas, outros, ficam-se pela primeira ou segunda escolha, adaptando-se nas escolhas feitas em conjunto. Escolhemos os nossos hobbies, os locais que admiramos, as comidas preferidas e as bebidas também. Mas, essas escolhas ao longo do caminho vão sendo proteladas, substituídas, modificadas, e a vida vai-nos dando outras escolhas. E os filhos? E os netos? Quem os escolhe? São uma dádiva de Deus! E a morte? Quem escolhe a morte? Alguns escolhem morrer matando-se aos poucos nas asneiras que fazem. Outros, escolhem o dia e a hora, matando-se. Outros nada escolhem, mas, há quem os mate, sem motivo. E as crianças, obrigadas a morrer com fome, quem as mata? E os outos? Será que todos nós já trazemos no destino, o dia, a hora e o local onde vamos findar o nosso caminho?! Às vezes penso que sim, outras, fico na interrogação, das muitas que a vida me tem dado. Somos mesmo nós que fazemos as nossas escolhas, ou já as trazemos ao nascer?! Somos nós que escolhemos a vida, ou é a vida que nos escolhe a nós?! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 24-07-2018

domingo, 15 de julho de 2018

Cada Um é Para o Que Nasce

Dá-me cá uma raiva, pronto, eu sei, raiva, têm os cães, mas, dá-me cá uma raiva, quando ouço alguém menosprezar o seu semelhante, pelo facto de não ter o mesmo nível de escolaridade, ou não ter tido a sorte de arranjar um tacho e assim, subir na vida. Ah… e tal…, fulano/a até é boa pessoa, mas, o pai trabalho no campo e a mãe nem sabe ler e escrever. Ah… e tal…. Ela até uma excelente rapariga, parece até ser uma boa dona de casa, mas coitada, trabalha a dias, em casas de senhoras. Ah… e tal… eu até o amava, até saber que a mãe vendia na praça, ainda por cima, peixe, que horror, que pivete. Ah.. e tal… ah e tal o quê? O que interessa o que cada um faz, desde que o faça com honestidade?! O que interessa a classe social, os canudos, alguns de compra, se não é isso que faz da pessoa, um ser humano melhor?! O que interessam os antepassados, se o que amamos é presente?! Pois eu cá tenho muito orgulho em ser a filha de um calceteiro e de uma modista de alfaiate. Ai que raiva! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 15-07-2018

sábado, 14 de julho de 2018

Pontuações e Outras Conjugações

Aprendi com facilidade a ler e a escrever. Muito raramente dava um erro, os meus ditados, assim se chamava na altura, eram exemplares, sem erros nem rasuras. Nunca apanhei uma reguada, fosse porque motivo fosse. E ao longo do meu percurso escolar sempre assim foi. O gosto pela escrita começou quando deixou de ser uma obrigação escrever. Mas, até hoje continuo com o mesmo esmero e rectidão (salvo uma ou outra distracção,distracção mesmo, tenho a mania de escrever e não voltar atrás para ler o que escrevi, mas, de imediato um amigo me alerta e corrijo). Este preâmbulo para dizer, que me dói o coração, ler o que muitos que se dizem poetas/escritores, deixam nas páginas das redes sociais por onde vagueiam. Erros de palmatória, crassos. Frases sem sentido, porque a pontuação lhes tirou o sentido. Acentuação trocada, em que os graves e os agudos se baralham. E o “h”, ah o “h”, esse então, coitado é tão mal tratado, uma simples letra e que faz confusão a tanta gente. E ver tudo isto editado?! Agarrar num livro, folheá-lo e ver que não houve qualquer revisão, dá vontade sei lá de quê. Os erros são em catadupa e a pontuação, essa, nem se fala. Por exemplo: - A Maria foi á janela? – exclamou o João – dois erros, na acentuação do à e, afinal o João exclamou ou perguntou, é que ? e ! têm leituras diferentes. Quando leio uma frase e tenho que voltar atrás para a entender, algo está errado, ou é a pontuação, ou a conjugação verbal, ou a acentuação, ou o género trocado, ou…, ou…. e muitos outros ou. Eu que até gosto de português, fico triste, com tanta falta de saber português. Mas isto sou eu, que tenho a mania. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 15-07-2018

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Saber Ouvir

Nem todos têm o dom de saber ouvir, falam, falam, falam e por vezes, nada dizem. Falam porque sentem necessidade de se ouvirem a falar de si e de quem as rodeia. Há aqueles que para dizerem, por exemplo, que encontraram uma amiga no centro comercial, dão a volta a tudo e quando se dá por isso já contaram o filme que iam ver no tal centro comercial, a história de cada actor e actriz, do dito filme e a história da vida da amiga, da vizinha da amiga, do cão, do gato, do periquito, do canário, da rã ou do sapo, de todo e qualquer animal de estimação que façam parte das famílias da amiga, das vizinhas da amiga e por aí fora, até aos antepassados mais antigos que façam parte da lembrança. Todos são tema da conversa, no entanto o intuito era apenas dizerem que tinham encontrado a tal amiga. E conseguem falar sobre tudo isto e muito mais, sem sequer pararem para molhar a palavra. E ouvir? O que é isso?! Ouvir?! Não tenho tempo para ouvir, porque se ouço fico sem tempo para falar. E se dividíssemos o tempo, de modo a que, todos tivessem o mesmo tempo para falar e para ouvir?! Pois é, mas, não é fácil saber ouvir. Nem todos têm o dom de saber ouvir. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 10-07-2018

Eu e o S. Pedro

Estou desconfiada que o S. Pedro está zangado comigo, sinceramente, não sei o motivo, eu que até o deixei juntar o Inverno à Primavera, na espectativa de um verão risonho. Mas, o tramado, tramou-me. Adiei as férias, semana após semana, na esperança de acertar em cheio, nuns dias de sol quente e água límpida (sem ser caída do céu), para poder fazer o gosto ao dedo, melhor, aos dedos, das mãos e dos pés, e dar os meus mergulhos, até ao pescoço, claro, nas águas frias do rio Mira ou do Oceano Atlântico, na sua junção e nessa magia que me envolve e alimenta o espírito, nas praias de Vila Nova de Milfontes. Mas, o tramado, tramou-me. Nem sol, nem calor. As manhãs começam com nevoeiro que se vai dissipando ao longo do dia, ou não, depende, mas o sol, continua escondido, envergonhado, sem um sorriso para me animar a alma. Sabem a melhor, até já pensei fazer uma corrente, dessas que estão na moda, para que o S. Pedro faça as pazes comigo, e quiçá com Portugal e os portugueses, para que possamos dar ao povo e especialmente aos turistas, aquilo que procuram ao visitar-nos, o calor humano e também o calor do sol no seu sorriso aberto. É bom visitar Portugal, para além de não precisarem de ter cursos linguísticos, pois quem os atende, sabe falar a língua deles (os turistas), também não fazem dietas, antes pelo contrário, comem do bom e do melhor, bebem ainda mais, pois a nossa gastronomia e os nossos vinhos, são os melhores do mundo (e arredores), têm um atendimento cinco estrelas (ou mais, depende se o céu estiver, ou não, nublado), por um povo acolhedor, ainda têm um sol maravilhoso e gratuito, sem quaisquer impostos, nem IVA nem nada, absolutamente gratuito. Enfim! Estou mesmo triste, então não é que, o tramado, tramou-me! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 11-07-2018

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Egos

Na escrita, como em qualquer outro meio, seja profissional ou apenas um hobby, há os óptimos, os muito bons, os bons, os assim-assim, os nem por isso, os maus, os muito maus e por fim, os péssimos. Isto é a minha visão, e os adjectivos que me surgiram neste momento. Depois, é vermos um óptimo junto de um péssimo, na mesma partilha de “dons”. Enquanto o óptimo, por vezes, até com um percurso literário e de vida, reconhecido internacionalmente, quase passa despercebido na sua simplicidade, o péssimo, deambula entre palavras e gostos do Facebook, enaltece o seu próprio “ego”, que até ficamos na dúvida sobre a nossa própria avaliação e de imediato pensamos em comprar algo da sua “obra”, se é que existe, por vezes, não existe, para tirarmos as nossas dúvidas. Se acaso encontramos algo já publicado, nem sempre conseguimos chegar ao fim da leitura, pois a sua “obra” é tão, mas tão, fraquinha, que tentamos de imediato, encontrar outro adjectivo, abaixo de péssimo. Mas pronto, lá diz o ditado popular “PRESUNÇÃO E ÁGUA BENTA, CADA UM TOMA A QUE QUER”. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 29-06-2018

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Poesia! Poesia?

Poesia! Poesia? Ah, não, eu não gosto de poesia, se fosse um romance…. Esta é uma frase recorrente que se ouve quando se está num stande de uma feira do livro. Pedra Filosofal e Manuel Freire Desfolhada e Simone de Oliveira Tourada e Fernando Tordo Grândola e Zeca Afonso Tudo isto é poesia. “Pois, eu gosto de ouvir cantar”. Há poucos dias assisti a quase três horas de “cantar Pessoa”. Poemas de Fernando Pessoa na voz e viola de Paulo Sanches. Plateia cheia e ninguém arredou pé. No final, o poeta trovador foi aplaudido de pé. Emoções ao rubro. Ouviu-se poesia. Fez-se poesia. Já disse questionando, ao vivo e a cores, e, se na escola os professores ensinassem poesia, assim, cantando. De certeza que quando adultos a maioria, gostava e comprava livros de poesia. Os nossos poetas merecem. E se na escola também ensinassem a ler poesia, a sentir o que leem, portanto, a sentir poesia, seria mais fácil para os alunos, adultos do futuro, gostarem de poesia. Será que os professores sabem ensinar poesia?! Pois, se calhar a maioria não sabe. E assim se continuará a ouvir: - Poesia! Poesia? Ah não, eu não gosto de poesia, se fosse um romance…. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 20-06-2018

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Passeio Pela Feira

Desci aquela fila de comes e bebes, misturada com livros de toda a espécie, desde infantis, passando pela ficção, sem esquecer a poesia e também os eróticos. Editoras e livros misturados com sabores entrelaçados com gente, com muita gente que quase se empurrava para seguir em frente. Raros eram os que paravam e mais raros ainda os que compravam um livro, no entanto, nos espaços das editoras estavam autores de caneta a postos para o primeiro autógrafo. Também lá estavam os autores conceituados, com nome na praça, esses, alguns, até tinham que usar a caneta e autografar com amizade, quem nem sequer conheciam, apenas naquele momento, tinham adquirido um livro seu, a preço de feira, que para os outros, aqueles que pagam para editar, até era um custo mais baixo que os próprios, os autores da obra, tinham pago pela mesma. Enfim. Dei a volta, entrei na outra fila e o espectaculo era o mesmo. Editoras, livros, autores, canetas, hamburguers, cerveja, batatas fritas, gelados, uma verdadeira miscelânea de saberes e sabores. Outra fila e tudo igual. A antiga feira do livro, onde os livros eram folheados, em que o seu cheiro era saboreado, em que os livros eram escolhidos, e, na maioria das vezes, até eram comprados, já não existe. Foi substituída por gente que passa correndo, de telemóvel numa mão e na outra um shot, ou um cigarro. Aonde fica a leitura?! Aonde fica a cultura?! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 14-06-2018

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Perder Não é Fácil

Quando a revolta se instala por não saber perder, vale tudo. Inventar, mentindo. Fazer nosso o que é dos outros, e por vezes, ainda os acusar de plágio. Contar, o que não nos contaram, criando inimizades e intrigas. Apoderar-se do que não é seu, por exemplo, ideias, dizendo que é seu por inteiro. Fazendo e desfazendo. Enfim, vale tudo, tudo mesmo. E quando esse tudo não resulta, a revolta aumenta. Para mim, este tipo de gente, para além de serem pessoas sem escrúpulos, sem nível, sem educação, são pessoas fracas de espírito e inseguras, que quando não conseguem chegar onde sonharam, espezinham os que o conseguem. Será que chegam longe?! Talvez! Com as suas artimanhas vão longe, pelo caminho, deixam a verdade e a sincera amizade, pois esta, só existe se “fizeres o que eu quero, como eu quero, e, me deres os teus louros como sendo meus”. Para mim, verdadeira amizade é precisamente o contrário, enfim. Na…. Assim não quero ir longe, quero ficar no meu canto, no caminho da amizade e da verdade. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 06-06-2018

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Não Gosto De......

Não gosto de gente abusadora e oportunista, especialmente, quando em causa estão os amigos. Imiscuem-se atentos e disfarçados de simplistas e, os amigos ingénuos, ou talvez não, ensinam o que sabem, contam o que pensam para o amanhã, ajudam de forma a que o outro consigo, o que eles já conseguiram, sempre numa de amizade, enfim, confiam. Pois é, mas, os tais abusadores e oportunistas, infiltrados, fingidores de amigos, aproveitam-se de tudo o que os outros lhes haviam confiado, na amizade. E, antes que o amanhã dos outros surja, amanhecem eles com esse amanhã, como se a ideia fosse deles. Também a isto se deveria chamar de plágio. E fazem-no sem qualquer pudor, passando por cima de quem lhes deu a mão. Não gosto de gente assim. Não gosto! Pronto, não gosto! Maria Antonieta Oliveira 30-05-2018

domingo, 27 de maio de 2018

Amigos do Face

Dois mil e tal amigos no facebook, será que os conhecemos a todos?! Claro que não! Então, porque são tantos? Para que os queremos? Passo a explicar. Dos que conheço, uns são familiares, familiares de familiares, ex-colegas de curso, ex-colegas de emprego, ex amores e amores actuais, e depois, amigos e amigos de amigos, onde as palavras se cruzam nos sentires da vida. Graças a Deus tenho muito bons amigos. E, muitos bons amigos. A seguir, vêm os amigos chamados de virtuais, porquê tantos? Pelos mesmos motivos já apresentados anteriormente. Amigos de amigos e, aqueles que sentam as palavras nos caminhos partilhados. E quando estes últimos passam de virtuais a reias, em que os olhares escrevem as mesmas palavras, é uma dádiva dos céus. Por fim, há os oportunistas e também os convencidos. Os oportunistas mal se aceita a amizade, de imediato enviam uma mensagem particular, a “oferecer” os seus serviços, desde dinheiro a outros, sempre com a amabilidade de “ajudar” o novo amigo. Os convencidos, convencem-se mesmo, que são o cavaleiro que há muito se aguardava, para sermos felizes. Convencem-se que são o que não são e que, pelo facto de se estar numa rede social, é apenas e só, porque nos sentimos sós, e precisamos de alguém que nos faça companhia, e, esse alguém, é precisamente, “aquele”. Claro está, que qualquer um destes dois últimos grupos de “amigos” virtuais, deixa de existir logo após a descoberta das suas intenções. Dos que sobram, e continuam sendo mais de dois mil e tal, há os que interagem e os silenciosos, mas, pronto, está bem, ficam todos. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 27-05-2018

terça-feira, 8 de maio de 2018

Amizade

Estar com amigos, aqueles amigos que basta um olhar e sentimos que do outro lado temos um ombro, um carinho, um mimo, é um privilégio, uma dádiva, uma bênção. Nas manhãs de sábado, de duas em duas semanas, tenho sentido essa amizade nos olhares que me rodeiam. E trocamos palavras em abraços. E abraços em poesia. E, num ápice, o tempo passa. Mas, na hora da despedida, todos sabemos que o ombro, o carinho, o mimo, permanecem no sorriso de um olhar. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 08-05-2018

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Fatiotas e Toiletes

Comprei um vestido de seda… de chifom… de brocado…já nem sei; sapatos de fino salto, cores garridas misturadas mas, tudo a condizer. Mandei subir a bainha, saia curta, perna ao léu, também mandei descer o decote, ficaria mais atrevidote, assim, daria nas vistas e todos se lembrariam do meu nome. Os cabelos, dos cabelos nem vos falo, cada um de sua cor, madeixas, sobre madeixas, colorido até demais, um Picasso na perfeição. O meu estilo é mesmo este, não sigo o que o espelho diz, nem lhe ligo, eu até sei que vão gostar. Nem me importa o que pareço, ou o que pensam de mim, eu sei aquilo que sou. E afinal para onde vou com todo este aprumo? Apenas beber um café mas, sei que lá vou encontrar a amiga da vizinha que logo lhe vai contar como estou provocadora, e ela, vai morrer de inveja, por não ter corpo, ou será, por não ter coragem, de se vestir como eu. Sim, vendo bem, ela até tem um corpo mais perfeito que o meu. Ah! Mas todos no café olharão para mim, ruidinhos, pois em casa, as mulheres, passam o dia a limpar, a tratar dos miúdos, a cozinhar, a passar a ferro, e, nem tempo têm para com o espelho falar. Eu, eu visto-me a rigor, vá para onde for. Mas, eu, não sou esta, esta, são muitas outras “eus”. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 30-04-2018

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Elites

Elites! Em tudo na vida há elites, umas devido aos canudos, alguns deles, comprados. Outras, porque os elementos intervenientes até têm valor, quer profissionalmente, quer a qualquer outro nível. Outras ainda, porque os elementos intervenientes pensam estar numa das categorias acima referidas. É verdade, também na poesia há elites (serão mesmo elites?) Pois, talvez sejam. Há escritores/poetas que não publicam os seus escritos em antologias, onde o maralhal miúdo publica, no entanto, organizam as suas antologias, quase privadas, onde apenas alguns entram, mas depois, convidam o tal maralhal miúdo, para as apresentações das mesmas. Ora bem, eu pertenço à minoria, àqueles que são convidados para todas, excepto, claro, as tais privadas. Colabora em quase todas, desde que não me façam demasiadas exigências. Com a minha maneira de ver as elites, não convido ninguém para as apresentações das ditas, aquelas do maralhal miúdo. É que, elite, é elite. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 19-04-2018

domingo, 15 de abril de 2018

Dois Em Um

Nem sempre se consegue num só dia, ou melhor, numa só tarde, estar em dois eventos distintos, em locais diferentes, e começando ambos praticamente à mesma hora. No entanto, quando se quer e a distância entre ambos é curta, até se consegue. Foi o que fiz, num sábado entre calor e frio. Abracei e beijei conhecidos e amigos. Conversei e troquei ideias. Revi alguns desconhecidos. Cusquei e se calhar até critiquei, apenas com o olhar. De seguida, e a poucos metros, também beijei e abracei conhecidos e amigos. Revi alguns desconhecidos. Depois, entre palavras e cantares, ouvi, sorri, pasmei, também falei e fiquei enquanto teve que ser. Também cusquei e critiquei, pois os olhos continuaram a trabalhar ao serviço da mente. E pronto, consegui numa tarde “DOIS EM UM” Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 15-04-2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Incongruências da Vida

Nunca gostei que me dessem ordens, no entanto, tive que obedecer à minha mãe até aos meus vinte e um anos, quando casei. Bem, isto não interessa, ou talvez interesse, depende da interpretação. Enquanto estudei, “obrigaram-me” a ler Júlio Dinis, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Camões, entre muitos outros. Fui mesmo obrigada a ler. Não gostava de ler. Durante muitos anos, não gostei de ler. Porém, com quinze anos já escrevia os meus poemas, desabafos e paixões, sentires e recordações. Escrevi, escrevo e quero continuar a escrever. Quero que os jovens me leiam. Quero que os adultos me leiam. Quero que em cada idade me interpretem à sua maneira. Sim, quero que me leiam. Gosto que me leiam, sem obrigação de o fazerem. Pois é, gosto que me leiam. Nota – Ainda hoje, não gosto de cumprir ordens. Maria Antonieta Oliveira 11-04-2018

domingo, 8 de abril de 2018

Há Palavras Sem Palavras

Há palavras que nos deixam sem palavras. E quando nessas palavras, se encontra a palavra AMIZADE, tudo faz sentido. Até o sol sorri, numa tarde de céu nublado e chuva intensa. Depois, à que absorver emoções e sentir o coração a saltitar de alegria. Digerir cada palavra e pôr em prática objectivos guardados no fundo do baú. Revirar palavras entrelaçadas em outras palavras e soltar desabafos. Imprimir sentimentos escondidos em palavras antigas. Caminhar por caminhos desconhecidos, e em palavras vivê-los. Tudo isto, porque – há palavras que nos deixam sem palavras. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 08-04-2018

domingo, 1 de abril de 2018

Livros e Leituras

Uma prateleira, vários livros, alguns autores. Uma estante, muitos livros, vários autores. - Isso é o que eu tenho! - Eu tenho mais de mil livros! - Ah, eu também tenho muito mais que isso! E, ao ouvir esta conversa, eu pergunto: - De tudo “isso” que cada um tem, mais que o outro, quantos livros já foram lidos? - E dos que leram, o que ficou? - Conseguirão contar a estória de cada um, mesmo que resumida, ou pelo menos se lembram do nome, ou da trama? - E do autor, o que sabem? Pois é! Uma prateleira, vários livros, alguns autores. Uma estante, muitos livros, vários autores. E onde fica a leitura?! E onde fica a cultura?! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 01-04-2018

sábado, 24 de março de 2018

III Sarau Poético no Palácio Baldaya

Entre sol e chuva, este sábado amanheceu frio. No entanto, isso não impediu que nos reuníssemos para mais um sarau poético no Palácio Baldaya. De longe e de perto, quem ama e sente, foi aparecendo. Também há os que amam e sentem, mas, e a vida tem muitos mas, não puderam comparecer à chamada da poesia. Com a pontualidade que caracteriza os organizadores, começou o sarau. Os agradecimentos, e começou a declamação, hoje, dedicada à mulher. Houve surpresas, poetas declamando outros poetas (alguns presentes), houve música e cantares, houve fado, houve sorrisos e lágrimas, houve emoção nas palavras dos poetas. Num ápice, a hora e trinta minutos a que temos direito, passou. Tal como no início, a pontualidade foi cumprida. De novo os agradecimentos e, um até dia 7 de Abril. Pessoalmente, saio sempre enriquecida em palavras e afectos. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 24-03-2018

quarta-feira, 21 de março de 2018

Dia da Poesia

Todos os dias são dias de qualquer coisa, dizem que hoje, dia 21 de Março, é o dia da poesia. Decerto foi, para muitos de nós. Eu pessoalmente, fui a um encontro de poetas, numa tertúlia que acontece mensalmente, no SCP, mas hoje foi diferente, não estivemos na sala VIP mas sim, na sala do centro de dia, onde idosos, com mais ou menos, problemas físicos, passam os seus dias. Os dias do resto das suas vidas. Falou-se, declamou-se, ouviu-se fado, contaram-se anedotas, especialmente de alentejanos, e, os aplausos fizeram-se ouvir e sentir. Sim, eu senti o calor humano daqueles que tiveram uma tarde diferente. No seu local habitual, alguém, nós, lhes levou palavras de conforto, sorrisos de alegria e recordações de antanho, nos fados cantados. No final, fomos agraciados com Leões de Portugal. Maria Antonieta Oliveira 21-03-2018

terça-feira, 13 de março de 2018

Gratidão

Quando te convidam para um sarau ou uma tertúlia, tu, vais ou não, consoante a disponibilidade; a distância entre a tua casa e o local onde se irá efectuar; de quem parte o convite e, depois de todos estes itens bem analisados, tomas a tua decisão. Mas, quando te convidam para uma primeira tertúlia em que serás uma das duas principais intervenientes, e a outra, um poeta já bem conhecido na nossa praça, aí, sim, aí tu nem sequer hesitas e de imediato aceitas. Foi o que aconteceu. E, numa manhã de sábado, em que a meteorologia previa chuva, o sol brilhou e as palavras soltaram-se como pombas brancas ao encontro da paz. Maria Antonieta Oliveira 12-03-2018

quarta-feira, 7 de março de 2018

Ilusão

Quando finalmente decidimos abrir os cordões à bolsa, e editamos o primeiro livro, enviamos convites para todos os familiares, alguns nem sequer sabiam que escrevíamos, convites para os amigos, para os vizinhos, só não enviamos para o cão e para o gato, porque lhes está interdita a entrada. Escusado será dizer que a maioria não aparece, alguns nem se dão ao trabalho de responder, no entanto, no dia da apresentação, conseguimos olhar em frente e ver muitas caras conhecidas. E, quando não se vendem os tais cem livros que fomos “obrigados” a comprar, depressa os vendemos, ou oferecemos a quem vai aparecendo e se candidata a um exemplar, e nós, acanhados, lá escrevemos uma dedicatória, e não cobramos, porque afinal, a pessoa até está a ser simpática em querer ler o que escrevemos. Uns tempos depois, surge a conversa, está na hora de editares o segundo livro, pensas, ponderas e decides, ok, porque não, até nem foi difícil vender os cem do primeiro livro. Surge o dito, pagas, envias os convites para a malta toda e aguardas, na convicção de que desta vez vão aparecer muitos mais, pois já conhecem a tua obra. Ilusão, ou inocência. Até podemos ter a sala composta, mas, a tia levou a vizinha, a prima levou o namorado, quem nem sequer conhecíamos, e, por aí fora, só metade, ou nem isso, é que compram. Bem, lá vão os restantes dos cem, para a tal prateleira de que já falei numa outra crónica, até os conseguirmos “despachar”. Ainda há quem insista e persista, na ilusão de um dia vender os tais cem e muitos mais, no dia da apresentação. Claro que me refiro aos tais autores desconhecidos, que pagam para editar. Evidente que há excepções. Maria Antonieta Oliveira 07-03-2018

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Analisando

Em conversa de café quando alguém se auto menospreza de algo que tem, de algo que fez ou não fez e devia ter feito, para mim, é uma forma de se querer valorizar. Ora bem, se ouvimos …/… ai… e tal… isto está péssimo…/…, automaticamente dizemos que não, que até está bem, mesmo que não pensemos exactamente assim, para que a outra pessoa não sinta a sua auto estima tão em baixo. O pior é quando essa cena se repete vezes sem conta, aí, a vontade é mesmo que até seja bom, concordar com a outra parte e dizer que tem razão, que na realidade não presta. Também há aqueles que depois de se vitimizarem, de seguida, se enaltecem, comparando-se até com altas figuras da praça, sobre o mesmo tema em que anteriormente se menosprezaram. Nestes casos o melhor é ouvir e calar. Analisando, chego à conclusão que “modéstia em demasia é vaidade” é um ditado popular que se adapta na perfeição. Maria Antonieta Oliveira 28-02-2018

Voltando às Editoras

Entre poetas, escritores e leitores, foi abordada uma questão que, também eu, já questiono há muito. A “rivalidade” entre editoras que puxam a si, autores desconhecidos, pois como já referi na outra crónica sobre editoras, os conhecidos são pagos para publicar, os outros, os desconhecidos, pagam e não é pouco, para terem nas mãos um livro todo ele, escrito por si. Normalmente prometem mundos e fundos: - que o livro vai para livrarias de vários países, que imensas livrarias de Portugal vão ter o nosso livro nos seus escaparates, que receberemos direitos de autor, enfim, prometem tudo e mais alguma coisa. Depois do contrato assinado e pago o excessivo valor acordado, ficamos com cem exemplares do nosso livro, nas mãos, raramente se vendem mais de cinquenta na apresentação do mesmo, os restantes, pois, os restantes ficam na prateleira a apanhar pó, como também foi referido naquela tarde de domingo. O autor ingénuo, procura outra editora que até parece agir de forma diferente, promete menos mas, e vêm outras ilusões, no entanto, a situação vai ser igual ou pior ainda. E, o que faz o autor a seguir? Ou junta uns quantos, muitos euritos e volta a pagar para poder folhear, manusear e cheirar um novo livro seu, cujos restantes irão ficar ao lado dos restantes na prateleira, ou faz como eu faço agora, só voltarei a publicar um livro só meu, se me convidarem a fazê-lo, de borla, claro. Maria Antonieta Oliveira 28-02-2018

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Observando

Estar sentada a ver e ouvir os outros, é um privilégio, pois vê-se e ouve-se, cada coisa de bradar aos céus. Há aqueles que encantam pela beleza e simplicidade com que se apresentam, mesmo que o seu poema ou e até, o seu dizer, não sejam perfeitos. Há os que até têm um bom poema mas, no momento da leitura, estragam-no, perdendo assim parte da qualidade. Há o inverso, aqueles que de um mau poema, ao dizê-lo conseguem enaltece-lo, tornando o momento, num momento poético de nível. Há os perfeitos, um bom poema e uma optima leitura. Este será decerto, o ponto alto do sarau/tertúlia. E, há os vaidosos, que antes de lerem ou dizerem de cor, o seu poema, se elevam ao degrau mais alto da escalada, e por fim, inchados, ficam com o ego em cima, ao ouvirem os aplausos, que afinal nem sequer são pelo poema ou pela declamação, mas sim, pela forma como conseguiu subir tão alto, na felicidade do ego enaltecido. Há de tudo, é verdade! Continuarei observando. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 17-02-2018

Editoras...E...Editoras

Sempre houve editoras, grandes, de renome nacional, com custos elevadíssimos para a publicação de um livro, especialmente se o autor fosse um desconhecido, a qualidade do conteúdo era secundário. Hoje, há editoras a cada esquina, quase todas de pequeno porte, a maioria até familiares. O critério, na maioria delas, continua a ser o mesmo de outrora, se tens um nome sonante, não pagas, se és um desconhecido sem nome na praça, pagas pelos dois, o que se torna insustentável para a maioria de quem deseja publicar. Quanto à avaliação do conteúdo é de somenos importância, o que interessa, é tão, somente, o lucro. Por este motivo, é que acontece regularmente, abrir-se um livro e encontrarem-se erros de toda a espécie, falta de pontuação, ou pontuação inadequada, conjugação verbal incorrecta, até já encontrei troca de nomes dos intervenientes do texto. Inadmissível que isto aconteça. Erros crassos, editados em nome da palavra portuguesa, em troca de uma conta bancária. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 16-02-2018

Conversa Comigo

Um destes dias, em amena cavaqueira, comigo própria, cheguei à triste conclusão, que isto de escrever, cria muitas inimizades. Ah, pois é, até aqui há a luta pelo poder. Eu escrevo muito melhor que ela, nem se compara! Ops! Será assim? E ele?! Até nem escreve nada de especial e já ganhou vários prémios, e eu nada!? Afinal éramos amigos e agora quase não nos falamos. Esta é a triste realidade de muitos casos, neste mundo da escrita. Amizades que nascem e amizades que se perdem. Depois desta conversa, comigo própria, resolvia continuar amiga do meu amigo sem quais quer restrições. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 16-02-2018

Antologias e Colectâneas

Hoje apetece-me escrever sobre um tema que parece fazer confusão a muito boa gente. Sim, participo em todas as antologias e colectâneas para as quais seja convidada, desde que não me exijam a compra de mais do que um exemplar. É verdade que já tenho mais do que um livro publicado, de poemas só escritos por mim, porque hei-de então “misturar” aquilo que escrevo, com poemas de outras pessoas que poderão, ou não, escrever como eu?! A resposta é simples, foi assim que comecei, entrando em antologias e colectâneas e dando a conhecer os meus poemas. Também assim, fui lendo outros autores e com alguns deles, aprendendo. E depois destas conjecturas, é evidente que continuarei a participar em antologias e colectâneas, mas, ressalvo, desde que não me exijam o pagamento de mais do que um exemplar. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 15-02-2018