segunda-feira, 30 de abril de 2018
Fatiotas e Toiletes
Comprei um vestido de seda… de chifom… de brocado…já nem sei; sapatos de fino salto, cores garridas misturadas mas, tudo a condizer.
Mandei subir a bainha, saia curta, perna ao léu, também mandei descer o decote, ficaria mais atrevidote, assim, daria nas vistas e todos se lembrariam do meu nome.
Os cabelos, dos cabelos nem vos falo, cada um de sua cor, madeixas, sobre madeixas, colorido até demais, um Picasso na perfeição.
O meu estilo é mesmo este, não sigo o que o espelho diz, nem lhe ligo, eu até sei que vão gostar. Nem me importa o que pareço, ou o que pensam de mim, eu sei aquilo que sou.
E afinal para onde vou com todo este aprumo? Apenas beber um café mas, sei que lá vou encontrar a amiga da vizinha que logo lhe vai contar como estou provocadora, e ela, vai morrer de inveja, por não ter corpo, ou será, por não ter coragem, de se vestir como eu. Sim, vendo bem, ela até tem um corpo mais perfeito que o meu.
Ah! Mas todos no café olharão para mim, ruidinhos, pois em casa, as mulheres, passam o dia a limpar, a tratar dos miúdos, a cozinhar, a passar a ferro, e, nem tempo têm para com o espelho falar.
Eu, eu visto-me a rigor, vá para onde for.
Mas, eu, não sou esta, esta, são muitas outras “eus”.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
30-04-2018
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