segunda-feira, 30 de abril de 2018
Fatiotas e Toiletes
Comprei um vestido de seda… de chifom… de brocado…já nem sei; sapatos de fino salto, cores garridas misturadas mas, tudo a condizer.
Mandei subir a bainha, saia curta, perna ao léu, também mandei descer o decote, ficaria mais atrevidote, assim, daria nas vistas e todos se lembrariam do meu nome.
Os cabelos, dos cabelos nem vos falo, cada um de sua cor, madeixas, sobre madeixas, colorido até demais, um Picasso na perfeição.
O meu estilo é mesmo este, não sigo o que o espelho diz, nem lhe ligo, eu até sei que vão gostar. Nem me importa o que pareço, ou o que pensam de mim, eu sei aquilo que sou.
E afinal para onde vou com todo este aprumo? Apenas beber um café mas, sei que lá vou encontrar a amiga da vizinha que logo lhe vai contar como estou provocadora, e ela, vai morrer de inveja, por não ter corpo, ou será, por não ter coragem, de se vestir como eu. Sim, vendo bem, ela até tem um corpo mais perfeito que o meu.
Ah! Mas todos no café olharão para mim, ruidinhos, pois em casa, as mulheres, passam o dia a limpar, a tratar dos miúdos, a cozinhar, a passar a ferro, e, nem tempo têm para com o espelho falar.
Eu, eu visto-me a rigor, vá para onde for.
Mas, eu, não sou esta, esta, são muitas outras “eus”.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
30-04-2018
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Elites
Elites!
Em tudo na vida há elites, umas devido aos canudos, alguns deles, comprados. Outras, porque os elementos intervenientes até têm valor, quer profissionalmente, quer a qualquer outro nível. Outras ainda, porque os elementos intervenientes pensam estar numa das categorias acima referidas.
É verdade, também na poesia há elites (serão mesmo elites?) Pois, talvez sejam.
Há escritores/poetas que não publicam os seus escritos em antologias, onde o maralhal miúdo publica, no entanto, organizam as suas antologias, quase privadas, onde apenas alguns entram, mas depois, convidam o tal maralhal miúdo, para as apresentações das mesmas. Ora bem, eu pertenço à minoria, àqueles que são convidados para todas, excepto, claro, as tais privadas. Colabora em quase todas, desde que não me façam demasiadas exigências.
Com a minha maneira de ver as elites, não convido ninguém para as apresentações das ditas, aquelas do maralhal miúdo.
É que, elite, é elite.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
19-04-2018
domingo, 15 de abril de 2018
Dois Em Um
Nem sempre se consegue num só dia, ou melhor, numa só tarde, estar em dois eventos distintos, em locais diferentes, e começando ambos praticamente à mesma hora. No entanto, quando se quer e a distância entre ambos é curta, até se consegue.
Foi o que fiz, num sábado entre calor e frio.
Abracei e beijei conhecidos e amigos. Conversei e troquei ideias. Revi alguns desconhecidos. Cusquei e se calhar até critiquei, apenas com o olhar.
De seguida, e a poucos metros, também beijei e abracei conhecidos e amigos. Revi alguns desconhecidos. Depois, entre palavras e cantares, ouvi, sorri, pasmei, também falei e fiquei enquanto teve que ser.
Também cusquei e critiquei, pois os olhos continuaram a trabalhar ao serviço da mente.
E pronto, consegui numa tarde “DOIS EM UM”
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
15-04-2018
quinta-feira, 12 de abril de 2018
Incongruências da Vida
Nunca gostei que me dessem ordens, no entanto, tive que obedecer à minha mãe até aos meus vinte e um anos, quando casei. Bem, isto não interessa, ou talvez interesse, depende da interpretação.
Enquanto estudei, “obrigaram-me” a ler Júlio Dinis, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Camões, entre muitos outros. Fui mesmo obrigada a ler.
Não gostava de ler. Durante muitos anos, não gostei de ler. Porém, com quinze anos já escrevia os meus poemas, desabafos e paixões, sentires e recordações.
Escrevi, escrevo e quero continuar a escrever.
Quero que os jovens me leiam.
Quero que os adultos me leiam.
Quero que em cada idade me interpretem à sua maneira.
Sim, quero que me leiam.
Gosto que me leiam, sem obrigação de o fazerem.
Pois é, gosto que me leiam.
Nota – Ainda hoje, não gosto de cumprir ordens.
Maria Antonieta Oliveira
11-04-2018
domingo, 8 de abril de 2018
Há Palavras Sem Palavras
Há palavras que nos deixam sem palavras. E quando nessas palavras, se encontra a palavra AMIZADE, tudo faz sentido. Até o sol sorri, numa tarde de céu nublado e chuva intensa.
Depois, à que absorver emoções e sentir o coração a saltitar de alegria. Digerir cada palavra e pôr em prática objectivos guardados no fundo do baú.
Revirar palavras entrelaçadas em outras palavras e soltar desabafos. Imprimir sentimentos escondidos em palavras antigas. Caminhar por caminhos desconhecidos, e em palavras vivê-los.
Tudo isto, porque – há palavras que nos deixam sem palavras.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
08-04-2018
domingo, 1 de abril de 2018
Livros e Leituras
Uma prateleira, vários livros, alguns autores.
Uma estante, muitos livros, vários autores.
- Isso é o que eu tenho!
- Eu tenho mais de mil livros!
- Ah, eu também tenho muito mais que isso!
E, ao ouvir esta conversa, eu pergunto:
- De tudo “isso” que cada um tem, mais que o outro, quantos livros já foram lidos?
- E dos que leram, o que ficou?
- Conseguirão contar a estória de cada um, mesmo que resumida, ou pelo menos se lembram do nome, ou da trama?
- E do autor, o que sabem?
Pois é!
Uma prateleira, vários livros, alguns autores.
Uma estante, muitos livros, vários autores.
E onde fica a leitura?!
E onde fica a cultura?!
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
01-04-2018
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