terça-feira, 24 de julho de 2018

A Vida e as Escolhas da Vida

A vida é feita de escolhas. Por vezes até penso que escolhemos onde e em que família, queremos nascer. Depois ao longo do percurso vamos selecionando a família e criando outra, a família dos amigos. Também dos amigos, ao longo da vida, fazemos as nossas escolhas. Uns mais, outros menos, e outros ainda, deixam de o ser. Escolhemos a profissão, no entanto, em muitos casos, não a executamos. Ou porque, não temos hipótese monetária de chegar lá, ou porque temos mas, na altura de a executar, o mercado de trabalho, não nos dá a possibilidade de a exercer. Também escolhemos com quem viver o resto dos nossos dias. Nem sempre acertamos, alguns fazem várias escolhas, outros, ficam-se pela primeira ou segunda escolha, adaptando-se nas escolhas feitas em conjunto. Escolhemos os nossos hobbies, os locais que admiramos, as comidas preferidas e as bebidas também. Mas, essas escolhas ao longo do caminho vão sendo proteladas, substituídas, modificadas, e a vida vai-nos dando outras escolhas. E os filhos? E os netos? Quem os escolhe? São uma dádiva de Deus! E a morte? Quem escolhe a morte? Alguns escolhem morrer matando-se aos poucos nas asneiras que fazem. Outros, escolhem o dia e a hora, matando-se. Outros nada escolhem, mas, há quem os mate, sem motivo. E as crianças, obrigadas a morrer com fome, quem as mata? E os outos? Será que todos nós já trazemos no destino, o dia, a hora e o local onde vamos findar o nosso caminho?! Às vezes penso que sim, outras, fico na interrogação, das muitas que a vida me tem dado. Somos mesmo nós que fazemos as nossas escolhas, ou já as trazemos ao nascer?! Somos nós que escolhemos a vida, ou é a vida que nos escolhe a nós?! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 24-07-2018

domingo, 15 de julho de 2018

Cada Um é Para o Que Nasce

Dá-me cá uma raiva, pronto, eu sei, raiva, têm os cães, mas, dá-me cá uma raiva, quando ouço alguém menosprezar o seu semelhante, pelo facto de não ter o mesmo nível de escolaridade, ou não ter tido a sorte de arranjar um tacho e assim, subir na vida. Ah… e tal…, fulano/a até é boa pessoa, mas, o pai trabalho no campo e a mãe nem sabe ler e escrever. Ah… e tal…. Ela até uma excelente rapariga, parece até ser uma boa dona de casa, mas coitada, trabalha a dias, em casas de senhoras. Ah… e tal… eu até o amava, até saber que a mãe vendia na praça, ainda por cima, peixe, que horror, que pivete. Ah.. e tal… ah e tal o quê? O que interessa o que cada um faz, desde que o faça com honestidade?! O que interessa a classe social, os canudos, alguns de compra, se não é isso que faz da pessoa, um ser humano melhor?! O que interessam os antepassados, se o que amamos é presente?! Pois eu cá tenho muito orgulho em ser a filha de um calceteiro e de uma modista de alfaiate. Ai que raiva! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 15-07-2018

sábado, 14 de julho de 2018

Pontuações e Outras Conjugações

Aprendi com facilidade a ler e a escrever. Muito raramente dava um erro, os meus ditados, assim se chamava na altura, eram exemplares, sem erros nem rasuras. Nunca apanhei uma reguada, fosse porque motivo fosse. E ao longo do meu percurso escolar sempre assim foi. O gosto pela escrita começou quando deixou de ser uma obrigação escrever. Mas, até hoje continuo com o mesmo esmero e rectidão (salvo uma ou outra distracção,distracção mesmo, tenho a mania de escrever e não voltar atrás para ler o que escrevi, mas, de imediato um amigo me alerta e corrijo). Este preâmbulo para dizer, que me dói o coração, ler o que muitos que se dizem poetas/escritores, deixam nas páginas das redes sociais por onde vagueiam. Erros de palmatória, crassos. Frases sem sentido, porque a pontuação lhes tirou o sentido. Acentuação trocada, em que os graves e os agudos se baralham. E o “h”, ah o “h”, esse então, coitado é tão mal tratado, uma simples letra e que faz confusão a tanta gente. E ver tudo isto editado?! Agarrar num livro, folheá-lo e ver que não houve qualquer revisão, dá vontade sei lá de quê. Os erros são em catadupa e a pontuação, essa, nem se fala. Por exemplo: - A Maria foi á janela? – exclamou o João – dois erros, na acentuação do à e, afinal o João exclamou ou perguntou, é que ? e ! têm leituras diferentes. Quando leio uma frase e tenho que voltar atrás para a entender, algo está errado, ou é a pontuação, ou a conjugação verbal, ou a acentuação, ou o género trocado, ou…, ou…. e muitos outros ou. Eu que até gosto de português, fico triste, com tanta falta de saber português. Mas isto sou eu, que tenho a mania. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 15-07-2018

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Saber Ouvir

Nem todos têm o dom de saber ouvir, falam, falam, falam e por vezes, nada dizem. Falam porque sentem necessidade de se ouvirem a falar de si e de quem as rodeia. Há aqueles que para dizerem, por exemplo, que encontraram uma amiga no centro comercial, dão a volta a tudo e quando se dá por isso já contaram o filme que iam ver no tal centro comercial, a história de cada actor e actriz, do dito filme e a história da vida da amiga, da vizinha da amiga, do cão, do gato, do periquito, do canário, da rã ou do sapo, de todo e qualquer animal de estimação que façam parte das famílias da amiga, das vizinhas da amiga e por aí fora, até aos antepassados mais antigos que façam parte da lembrança. Todos são tema da conversa, no entanto o intuito era apenas dizerem que tinham encontrado a tal amiga. E conseguem falar sobre tudo isto e muito mais, sem sequer pararem para molhar a palavra. E ouvir? O que é isso?! Ouvir?! Não tenho tempo para ouvir, porque se ouço fico sem tempo para falar. E se dividíssemos o tempo, de modo a que, todos tivessem o mesmo tempo para falar e para ouvir?! Pois é, mas, não é fácil saber ouvir. Nem todos têm o dom de saber ouvir. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 10-07-2018

Eu e o S. Pedro

Estou desconfiada que o S. Pedro está zangado comigo, sinceramente, não sei o motivo, eu que até o deixei juntar o Inverno à Primavera, na espectativa de um verão risonho. Mas, o tramado, tramou-me. Adiei as férias, semana após semana, na esperança de acertar em cheio, nuns dias de sol quente e água límpida (sem ser caída do céu), para poder fazer o gosto ao dedo, melhor, aos dedos, das mãos e dos pés, e dar os meus mergulhos, até ao pescoço, claro, nas águas frias do rio Mira ou do Oceano Atlântico, na sua junção e nessa magia que me envolve e alimenta o espírito, nas praias de Vila Nova de Milfontes. Mas, o tramado, tramou-me. Nem sol, nem calor. As manhãs começam com nevoeiro que se vai dissipando ao longo do dia, ou não, depende, mas o sol, continua escondido, envergonhado, sem um sorriso para me animar a alma. Sabem a melhor, até já pensei fazer uma corrente, dessas que estão na moda, para que o S. Pedro faça as pazes comigo, e quiçá com Portugal e os portugueses, para que possamos dar ao povo e especialmente aos turistas, aquilo que procuram ao visitar-nos, o calor humano e também o calor do sol no seu sorriso aberto. É bom visitar Portugal, para além de não precisarem de ter cursos linguísticos, pois quem os atende, sabe falar a língua deles (os turistas), também não fazem dietas, antes pelo contrário, comem do bom e do melhor, bebem ainda mais, pois a nossa gastronomia e os nossos vinhos, são os melhores do mundo (e arredores), têm um atendimento cinco estrelas (ou mais, depende se o céu estiver, ou não, nublado), por um povo acolhedor, ainda têm um sol maravilhoso e gratuito, sem quaisquer impostos, nem IVA nem nada, absolutamente gratuito. Enfim! Estou mesmo triste, então não é que, o tramado, tramou-me! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 11-07-2018