CRÓNICAS
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Momentos - 2018
Quem leu o meu romance “Para Além do Tempo” lembrar-se-á que termino com a seguinte frase – “A felicidade são momentos”. Esta continua sendo a minha convicção, pois a vida é composta por momentos, distintos uns dos outros, todos, fazendo a vida que vivemos.
Depois de muitas décadas de bons e maus momentos e, analisando este ano de 2018, considero-o um ano de muitos bons momentos.
Construí amizades para a vida. Publiquei o meu quinto livro, mesmo sabendo que amanhã só a família lhe pegará, é um sonho que também vou conquistando aos poucos.
A saúde, se pensar nas décadas já vividas, até está muito boa, também não me deu problemas de maior.
Sou beijoqueira por natureza, talvez porque em miúda a minha mãe me deu muitos beijos. Este ano dei e recebi muitos beijos, sinceros e verdadeiros. Dei e recebi abraços, daqueles que se sentem, saídos de corações puros. Amei e fui amada.
Enfim, analisando, quase tudo foi bom.
Falhou apenas, ter-vos mais comigo, assim o ano seria perfeito.
Porque:
“A felicidade são momentos”.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
27-12-2018
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Porquê?!
Há amigos… amigos…. e… amigos…
Para mim a amizade é ser feliz com a felicidade do outro, só assim concebo a verdadeira amizade.
Ao longo de todo o meu percurso profissional, das minhas amizades, criei inimizades. Nem todas, é evidente, porque como escrevi acima, há amigos… amigos e amigos.
Não porque tenha directamente contribuído para que houvesse essa transformação de sentimento, apenas e só, porque me deram um degrau para subir e eu subi esse degrau, e porquê eu?! E porque não eu?!
Entrei neste mundo das palavras em Julho de 2009, criei amizades que considerei serem verdadeiras e para a vida. Disse várias vezes que neste “mundo” não existiam rivalidades ou invejas, havia sim, entre ajuda e cumplicidade.
Como me enganei!!
Sem me aperceber degrau a degrau fui subindo o que me foi sendo “dado”, não pelos meus lindos olhos, acredito em mim e no dom que Deus me deu. Sei o que posso e consigo fazer. Sei quem sou e o que sou.
Continuei sendo a mesma pessoa, com 1,60 mt. de altura mas, passei a ser um pouco maior e, criei inimizades.
Afinal enganei-me, no mundo das palavras também há inveja.
PORQUÊ EU?!
E PORQUE NÃO EU?!
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
26-10-2018
13 de Outubro de 2018
OS SONS DO SILÊNCIO
“foram tantas as emoções que eu vivi”
Assim diz a canção de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, e reflecte exactamente o que eu vivi no passado sábado, dia 13 de Outubro..
Tive comigo, quase toda a família, num abraço em que o sangue falou bem alto.
Amigos de longa data, dos tempos em que os numeros nos uniam, neste dia, foram as palavras que nos uniram.
Amigos de alguns anos, unidos pelas palavras.
Amigos recentes que me honraram com a sua presença.
E possivelmente, até me parece que sim, amigos que estiveram presentes apenas porque, enfim… cuscar… ou, não parecer mal… ENFIM!
Sala cheia, pessoas de pé. Ninguém desistiu e o meu coração ficou cheio de felicidade.
Surpresas! Muitas e boas surpresas!
Senti nos abraços o calor da amizade.
Senti nas palavras o valor do sentimento.
Agradeço a Deus ser quem sou.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
26-10-2018
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Hoje Vou Falar de Ti
Hoje vou falar de ti.
Sim, de ti que te dizes de amigo/a.
E porque escrevo “dizes”? Eu explico.
Sou convidada para colectâneas/antologias, para convívios, para vários tipos de eventos, se a minha resposta for positiva, tenho de imediato retorno – obrigada/o amiga, vou gostar de te ver, até lá; o pior é quando a resposta é negativa, pois é, do outro lado não há qualquer retorno. Eu compreendo, não houve tempo para responderem, ou possivelmente, não viram a minha resposta, que até foi negativa, mas, como não viram, até estão à minha espera. Pois é…
Amigos destes é o que há mais, infelizmente.
Mas também há o inverso, sou eu quem convida e nem uma resposta obtenho, seja positiva ou negativa, penso que todas merecem retorno.
Enfim, já não se fazem amigos como antigamente.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
10-10-2018
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Enfim... Já Não Sei Que Faça...
Desta vez, antes de me meter à estrada enviei um email para o S. Pedro, avisando-o que ia de novo tentar matar o desejo de molhar os pés no Rio Mira, e, ao mesmo tempo, solicitando encarecidamente que não se esquecesse que em Portugal ainda é Verão. Não obtive resposta. Enviei então, um SMS, nada, tentei o Messenger, o whatsapp, enfim, utilizei tudo o que a tecnologia me permite e nada de resposta. Pensei, se calhar é melhor voltar ao antigamente, então, escrevi uma carta, não resultou, um telegrama e nada. Pensei, pensei, e depois de muito pensar, já quase com os neurónios a fazerem faísca, cheguei à conclusão de que poderia meter-me a caminho. Pois, quem cala consente e, se S. Pedro estava calado, sem me responder, era porque acedia ao meu pedido e o Verão, que este ano anda arredio, chegaria, nem que fosse só para mim.
Bem pensado, melhor feito, e a distância encurtou-se no rodar do carro pelas estradas do nosso Alentejo. Senti na pele o calor do Verão alentejano, que bom, desta vez fui ouvida, ou lida não sei.
Como me enganei! Como diz o velho ditado, foi sol de pouca dura e, em dez dias nas praias da nossa maravilhosa Costa Vicentina, em nenhum deles houve Verão, talvez nuns três deles, tenha havido uma Primavera fria.
Passeei, comi, bebi, numa tentativa de me controlar e perdoar ao S. Pedro.
Foi muito bom, mas praia, talvez para o ano, se o dito, não me voltar a trocar as voltas.
Dúvida – Será que lá em cima há internet?
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
10-09-2018
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Palácio Baldaya
Durante mais de trinta anos percorri o mesmo caminho de casa ao trabalho e vice-versa. Quando o tempo estava bom, parte dele, era feito a pé, umas vezes pela estrada principal, outras, pela rua paralela. Umas vezes acompanhada, outras, sozinha, divagando pela minha vida, pelos sonhos desfeitos e pelos outros, os sonhos mal feitos.
Quando caminhava pela estrada principal, entretinha-me a ver as montras, principalmente as de pronto-a-vestir. Vaidosa? Sim, talvez. Sempre gostei de me ver bem vestida, mesmo que fosse, e seja, com roupa de baixo custo.
E passava… e passei… centenas de vezes por aqueles muros, por aqueles portões, por ambos os caminhos, os encontrava, e nada me diziam. Eram apenas muros e portões de mais um laboratório, que tal como todos os laboratórios fazia investigação, este, particularmente este, fazia investigação veterinária.
Deixei de por diariamente lá passar, também o laboratório deixou de lá funcionar.
Continuei a passar esporadicamente, nem sequer ligava aos pormenores do edifício, quase abandonado ao tempo, que continuava a passar, até que numa das vezes reparei que andavam a pintar portas e janelas, e mais obras lá por dentro. Casualmente no dia 29 de Abril de 2017, passei e a porta que dá para a tal estrada principal, estava aberta. Entrei, foi o primeiro de muitos dias em que lá entrei e entrarei. As obras foram progredindo, até se encontrar, finalmente aberto ao público, para as mais diversas situações, entre elas, as tertúlias e os saraus poéticos, da empresa In-Finita. De quinze em quinze dias, lá estamos reunidos para mais uma manhã de amizade e poesia.
E, as antigas instalações do laboratório nacional de investigação veterinária, era afinal um palácio, que em boa hora foi recuperado pela junta de freguesia de Benfica.
Hoje, já com cara lavada, está aberto todos os dias, para gaudio de quem por lá passa.
Majestoso e imponente o Palácio Baldaya.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
29-08-2018
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Chamava-se Maria
Chamava-se Maria, mas não gostava que a chamassem de Maria.
Naquela época, eram tratadas por Maria, mesmo que o seu verdadeiro nome, não fosse Maria, as sopeiras, as criadas de servir, as chamadas, hoje, de, empregadas domésticas.
Quem a tratava de Maria sabia bem porque o fazia. Era uma forma desprestigiante de a menosprezar. E a Maria que era menina, sentia-o. Sentia-se.
Era uma menina introvertida, envergonhada e triste.
A menina, a Maria, foi crescendo sempre com a sua auto estima muito em baixo, sentindo-se sempre inferior a quem a rodeava. Desde muito menina que lhe foi incutida essa inferioridade.
E a menina cresceu mais e aos poucos foi-se libertando desse sentimento. Custou. Custou-lhe muito mas conseguiu.
A Maria menina – mulher, ultrapassou todos os seus receios , tornou-se confiante em si mesma, e hoje a Maria, chama-se
MARIA.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
16-08-2018
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