sexta-feira, 26 de outubro de 2018

13 de Outubro de 2018

OS SONS DO SILÊNCIO “foram tantas as emoções que eu vivi” Assim diz a canção de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, e reflecte exactamente o que eu vivi no passado sábado, dia 13 de Outubro.. Tive comigo, quase toda a família, num abraço em que o sangue falou bem alto. Amigos de longa data, dos tempos em que os numeros nos uniam, neste dia, foram as palavras que nos uniram. Amigos de alguns anos, unidos pelas palavras. Amigos recentes que me honraram com a sua presença. E possivelmente, até me parece que sim, amigos que estiveram presentes apenas porque, enfim… cuscar… ou, não parecer mal… ENFIM! Sala cheia, pessoas de pé. Ninguém desistiu e o meu coração ficou cheio de felicidade. Surpresas! Muitas e boas surpresas! Senti nos abraços o calor da amizade. Senti nas palavras o valor do sentimento. Agradeço a Deus ser quem sou. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 26-10-2018

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Hoje Vou Falar de Ti

Hoje vou falar de ti. Sim, de ti que te dizes de amigo/a. E porque escrevo “dizes”? Eu explico. Sou convidada para colectâneas/antologias, para convívios, para vários tipos de eventos, se a minha resposta for positiva, tenho de imediato retorno – obrigada/o amiga, vou gostar de te ver, até lá; o pior é quando a resposta é negativa, pois é, do outro lado não há qualquer retorno. Eu compreendo, não houve tempo para responderem, ou possivelmente, não viram a minha resposta, que até foi negativa, mas, como não viram, até estão à minha espera. Pois é… Amigos destes é o que há mais, infelizmente. Mas também há o inverso, sou eu quem convida e nem uma resposta obtenho, seja positiva ou negativa, penso que todas merecem retorno. Enfim, já não se fazem amigos como antigamente. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 10-10-2018

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Enfim... Já Não Sei Que Faça...

Desta vez, antes de me meter à estrada enviei um email para o S. Pedro, avisando-o que ia de novo tentar matar o desejo de molhar os pés no Rio Mira, e, ao mesmo tempo, solicitando encarecidamente que não se esquecesse que em Portugal ainda é Verão. Não obtive resposta. Enviei então, um SMS, nada, tentei o Messenger, o whatsapp, enfim, utilizei tudo o que a tecnologia me permite e nada de resposta. Pensei, se calhar é melhor voltar ao antigamente, então, escrevi uma carta, não resultou, um telegrama e nada. Pensei, pensei, e depois de muito pensar, já quase com os neurónios a fazerem faísca, cheguei à conclusão de que poderia meter-me a caminho. Pois, quem cala consente e, se S. Pedro estava calado, sem me responder, era porque acedia ao meu pedido e o Verão, que este ano anda arredio, chegaria, nem que fosse só para mim. Bem pensado, melhor feito, e a distância encurtou-se no rodar do carro pelas estradas do nosso Alentejo. Senti na pele o calor do Verão alentejano, que bom, desta vez fui ouvida, ou lida não sei. Como me enganei! Como diz o velho ditado, foi sol de pouca dura e, em dez dias nas praias da nossa maravilhosa Costa Vicentina, em nenhum deles houve Verão, talvez nuns três deles, tenha havido uma Primavera fria. Passeei, comi, bebi, numa tentativa de me controlar e perdoar ao S. Pedro. Foi muito bom, mas praia, talvez para o ano, se o dito, não me voltar a trocar as voltas. Dúvida – Será que lá em cima há internet? Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 10-09-2018

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Palácio Baldaya

Durante mais de trinta anos percorri o mesmo caminho de casa ao trabalho e vice-versa. Quando o tempo estava bom, parte dele, era feito a pé, umas vezes pela estrada principal, outras, pela rua paralela. Umas vezes acompanhada, outras, sozinha, divagando pela minha vida, pelos sonhos desfeitos e pelos outros, os sonhos mal feitos. Quando caminhava pela estrada principal, entretinha-me a ver as montras, principalmente as de pronto-a-vestir. Vaidosa? Sim, talvez. Sempre gostei de me ver bem vestida, mesmo que fosse, e seja, com roupa de baixo custo. E passava… e passei… centenas de vezes por aqueles muros, por aqueles portões, por ambos os caminhos, os encontrava, e nada me diziam. Eram apenas muros e portões de mais um laboratório, que tal como todos os laboratórios fazia investigação, este, particularmente este, fazia investigação veterinária. Deixei de por diariamente lá passar, também o laboratório deixou de lá funcionar. Continuei a passar esporadicamente, nem sequer ligava aos pormenores do edifício, quase abandonado ao tempo, que continuava a passar, até que numa das vezes reparei que andavam a pintar portas e janelas, e mais obras lá por dentro. Casualmente no dia 29 de Abril de 2017, passei e a porta que dá para a tal estrada principal, estava aberta. Entrei, foi o primeiro de muitos dias em que lá entrei e entrarei. As obras foram progredindo, até se encontrar, finalmente aberto ao público, para as mais diversas situações, entre elas, as tertúlias e os saraus poéticos, da empresa In-Finita. De quinze em quinze dias, lá estamos reunidos para mais uma manhã de amizade e poesia. E, as antigas instalações do laboratório nacional de investigação veterinária, era afinal um palácio, que em boa hora foi recuperado pela junta de freguesia de Benfica. Hoje, já com cara lavada, está aberto todos os dias, para gaudio de quem por lá passa. Majestoso e imponente o Palácio Baldaya. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 29-08-2018

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Chamava-se Maria

Chamava-se Maria, mas não gostava que a chamassem de Maria. Naquela época, eram tratadas por Maria, mesmo que o seu verdadeiro nome, não fosse Maria, as sopeiras, as criadas de servir, as chamadas, hoje, de, empregadas domésticas. Quem a tratava de Maria sabia bem porque o fazia. Era uma forma desprestigiante de a menosprezar. E a Maria que era menina, sentia-o. Sentia-se. Era uma menina introvertida, envergonhada e triste. A menina, a Maria, foi crescendo sempre com a sua auto estima muito em baixo, sentindo-se sempre inferior a quem a rodeava. Desde muito menina que lhe foi incutida essa inferioridade. E a menina cresceu mais e aos poucos foi-se libertando desse sentimento. Custou. Custou-lhe muito mas conseguiu. A Maria menina – mulher, ultrapassou todos os seus receios , tornou-se confiante em si mesma, e hoje a Maria, chama-se MARIA. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 16-08-2018

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Doutores e Outros Senhores

Doutores e outros senhores! Ter ou não ter um canudo, seja por mérito, ou por aquisição, não faz com que uma pessoa seja mais ou menos culta, que outra que não tenha tido a possibilidade de o obter, por mérito ou por aquisição. No entanto, há quem pense que sim. Acho imensa piada aos que quando se apresentam, antecedem o nome com o canudo, por exemplo – sou o doutor fulano de tal… sou o engenheiro fulano de tal… e por aí fora. Também nos representantes das forças armadas, há esse tipo de pessoas, em que o canudo antecede o nome – sou o general fulano de tal… sou o comandante fulano de tal… etc. etc. Acho graça a este tipo de pessoas. E não é que já deixei algumas a olharem para mim sem palavras para me responderem. É verdade, podem crer. Havia um certo doutor, não sei em que era doutorado, mas apelidava-se de – eu sou o doutor fulano de tal… ora bem, este senhor de cada vez que entrava na loja do meu marido, sem cumprimentar, dizia – diga os senhor Victor que está aqui o doutor fulano de tal, isto aconteceu uma vez, duas vezes, à terceira vez, assim que ele entrou e antes que dissesse que era o doutor fulano de tal, eu disse, depois de o cumprimentar, um momento eu chamo já o doutor dos sofás. De olhos esbugalhados e sem palavras, limitou-se a esperar que o doutor dos sofás aparecesse. Voltou lá mais vezes mas, nunca mais se apelidou de doutor. Se todos estes doutores e outros senhores, apanhassem pela frente, de vez em quando, uma Antonieta, talvez se habituassem a deixar em casa, os ditos canudos, sejam eles por mérito ou por aquisição. Tenho dito! Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 09-08-2018

domingo, 5 de agosto de 2018

Coitado do S. Pedro

Oh S. Pedro, como eu te compreendo! Tramaste-me, eu sei, mas já te perdoei. Que confusão deve ir na tua cabecinha, mandaste-nos tempo ameno e todos refilámos, alguns até ajoelharam pedindo chuva, pois a seca era inevitável, as albufeiras estavam vazias, as barragens também, enfim, tínhamos que fazer contenção nos gastos de água. Mandaste chuva, já fora de tempo, mas mandaste, todos reclamámos, pois até as minhas mini férias estragaste. Pedimos tempo bom, sol e calor para umas férias “relaxadas” nas lindas praias do nosso Portugal. Ouviste e mandaste o que pedimos, sol e calor. E agora do que reclamamos?! Agora todos reclamamos o calor intenso, fora do nosso controle. Intenso! Demais! É que assim nem dá para sair de casa. E a praia? Pois é, só mesmo dentro de água. Oh S. Pedro, não queremos tanto calor. Espera, vai devagar, não mandes ainda, chuva e frio, ainda quero passear à beira mar. Coitado do S. Pedro, como eu o compreendo. Maria Antonieta Oliveira AVOZITA 05-08-2018 -