sábado, 14 de julho de 2018
Pontuações e Outras Conjugações
Aprendi com facilidade a ler e a escrever. Muito raramente dava um erro, os meus ditados, assim se chamava na altura, eram exemplares, sem erros nem rasuras. Nunca apanhei uma reguada, fosse porque motivo fosse. E ao longo do meu percurso escolar sempre assim foi.
O gosto pela escrita começou quando deixou de ser uma obrigação escrever. Mas, até hoje continuo com o mesmo esmero e rectidão (salvo uma ou outra distracção,distracção mesmo, tenho a mania de escrever e não voltar atrás para ler o que escrevi, mas, de imediato um amigo me alerta e corrijo).
Este preâmbulo para dizer, que me dói o coração, ler o que muitos que se dizem poetas/escritores, deixam nas páginas das redes sociais por onde vagueiam.
Erros de palmatória, crassos. Frases sem sentido, porque a pontuação lhes tirou o sentido. Acentuação trocada, em que os graves e os agudos se baralham. E o “h”, ah o “h”, esse então, coitado é tão mal tratado, uma simples letra e que faz confusão a tanta gente.
E ver tudo isto editado?!
Agarrar num livro, folheá-lo e ver que não houve qualquer revisão, dá vontade sei lá de quê. Os erros são em catadupa e a pontuação, essa, nem se fala. Por exemplo: - A Maria foi á janela? – exclamou o João – dois erros, na acentuação do à e, afinal o João exclamou ou perguntou, é que ? e ! têm leituras diferentes.
Quando leio uma frase e tenho que voltar atrás para a entender, algo está errado, ou é a pontuação, ou a conjugação verbal, ou a acentuação, ou o género trocado, ou…, ou…. e muitos outros ou.
Eu que até gosto de português, fico triste, com tanta falta de saber português.
Mas isto sou eu, que tenho a mania.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
15-07-2018
sexta-feira, 13 de julho de 2018
Saber Ouvir
Nem todos têm o dom de saber ouvir, falam, falam, falam e por vezes, nada dizem. Falam porque sentem necessidade de se ouvirem a falar de si e de quem as rodeia.
Há aqueles que para dizerem, por exemplo, que encontraram uma amiga no centro comercial, dão a volta a tudo e quando se dá por isso já contaram o filme que iam ver no tal centro comercial, a história de cada actor e actriz, do dito filme e a história da vida da amiga, da vizinha da amiga, do cão, do gato, do periquito, do canário, da rã ou do sapo, de todo e qualquer animal de estimação que façam parte das famílias da amiga, das vizinhas da amiga e por aí fora, até aos antepassados mais antigos que façam parte da lembrança. Todos são tema da conversa, no entanto o intuito era apenas dizerem que tinham encontrado a tal amiga. E conseguem falar sobre tudo isto e muito mais, sem sequer pararem para molhar a palavra.
E ouvir?
O que é isso?! Ouvir?! Não tenho tempo para ouvir, porque se ouço fico sem tempo para falar.
E se dividíssemos o tempo, de modo a que, todos tivessem o mesmo tempo para falar e para ouvir?!
Pois é, mas, não é fácil saber ouvir.
Nem todos têm o dom de saber ouvir.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
10-07-2018
Eu e o S. Pedro
Estou desconfiada que o S. Pedro está zangado comigo, sinceramente, não sei o motivo, eu que até o deixei juntar o Inverno à Primavera, na espectativa de um verão risonho.
Mas, o tramado, tramou-me.
Adiei as férias, semana após semana, na esperança de acertar em cheio, nuns dias de sol quente e água límpida (sem ser caída do céu), para poder fazer o gosto ao dedo, melhor, aos dedos, das mãos e dos pés, e dar os meus mergulhos, até ao pescoço, claro, nas águas frias do rio Mira ou do Oceano Atlântico, na sua junção e nessa magia que me envolve e alimenta o espírito, nas praias de Vila Nova de Milfontes.
Mas, o tramado, tramou-me.
Nem sol, nem calor. As manhãs começam com nevoeiro que se vai dissipando ao longo do dia, ou não, depende, mas o sol, continua escondido, envergonhado, sem um sorriso para me animar a alma.
Sabem a melhor, até já pensei fazer uma corrente, dessas que estão na moda, para que o S. Pedro faça as pazes comigo, e quiçá com Portugal e os portugueses, para que possamos dar ao povo e especialmente aos turistas, aquilo que procuram ao visitar-nos, o calor humano e também o calor do sol no seu sorriso aberto. É bom visitar Portugal, para além de não precisarem de ter cursos linguísticos, pois quem os atende, sabe falar a língua deles (os turistas), também não fazem dietas, antes pelo contrário, comem do bom e do melhor, bebem ainda mais, pois a nossa gastronomia e os nossos vinhos, são os melhores do mundo (e arredores), têm um atendimento cinco estrelas (ou mais, depende se o céu estiver, ou não, nublado), por um povo acolhedor, ainda têm um sol maravilhoso e gratuito, sem quaisquer impostos, nem IVA nem nada, absolutamente gratuito.
Enfim!
Estou mesmo triste, então não é que,
o tramado, tramou-me!
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
11-07-2018
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Egos
Na escrita, como em qualquer outro meio, seja profissional ou apenas um hobby, há os óptimos, os muito bons, os bons, os assim-assim, os nem por isso, os maus, os muito maus e por fim, os péssimos. Isto é a minha visão, e os adjectivos que me surgiram neste momento.
Depois, é vermos um óptimo junto de um péssimo, na mesma partilha de “dons”.
Enquanto o óptimo, por vezes, até com um percurso literário e de vida, reconhecido internacionalmente, quase passa despercebido na sua simplicidade, o péssimo, deambula entre palavras e gostos do Facebook, enaltece o seu próprio “ego”, que até ficamos na dúvida sobre a nossa própria avaliação e de imediato pensamos em comprar algo da sua “obra”, se é que existe, por vezes, não existe, para tirarmos as nossas dúvidas. Se acaso encontramos algo já publicado, nem sempre conseguimos chegar ao fim da leitura, pois a sua “obra” é tão, mas tão, fraquinha, que tentamos de imediato, encontrar outro adjectivo, abaixo de péssimo.
Mas pronto, lá diz o ditado popular
“PRESUNÇÃO E ÁGUA BENTA, CADA UM TOMA A QUE QUER”.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
29-06-2018
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Poesia! Poesia?
Poesia! Poesia? Ah, não, eu não gosto de poesia, se fosse um romance…. Esta é uma frase recorrente que se ouve quando se está num stande de uma feira do livro.
Pedra Filosofal e Manuel Freire
Desfolhada e Simone de Oliveira
Tourada e Fernando Tordo
Grândola e Zeca Afonso
Tudo isto é poesia. “Pois, eu gosto de ouvir cantar”.
Há poucos dias assisti a quase três horas de “cantar Pessoa”. Poemas de Fernando Pessoa na voz e viola de Paulo Sanches. Plateia cheia e ninguém arredou pé. No final, o poeta trovador foi aplaudido de pé. Emoções ao rubro. Ouviu-se poesia. Fez-se poesia.
Já disse questionando, ao vivo e a cores, e, se na escola os professores ensinassem poesia, assim, cantando. De certeza que quando adultos a maioria, gostava e comprava livros de poesia. Os nossos poetas merecem.
E se na escola também ensinassem a ler poesia, a sentir o que leem, portanto, a sentir poesia, seria mais fácil para os alunos, adultos do futuro, gostarem de poesia.
Será que os professores sabem ensinar poesia?! Pois, se calhar a maioria não sabe.
E assim se continuará a ouvir:
- Poesia! Poesia? Ah não, eu não gosto de poesia, se fosse um romance….
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
20-06-2018
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Passeio Pela Feira
Desci aquela fila de comes e bebes, misturada com livros de toda a espécie, desde infantis, passando pela ficção, sem esquecer a poesia e também os eróticos.
Editoras e livros misturados com sabores entrelaçados com gente, com muita gente que quase se empurrava para seguir em frente. Raros eram os que paravam e mais raros ainda os que compravam um livro, no entanto, nos espaços das editoras estavam autores de caneta a postos para o primeiro autógrafo.
Também lá estavam os autores conceituados, com nome na praça, esses, alguns, até tinham que usar a caneta e autografar com amizade, quem nem sequer conheciam, apenas naquele momento, tinham adquirido um livro seu, a preço de feira, que para os outros, aqueles que pagam para editar, até era um custo mais baixo que os próprios, os autores da obra, tinham pago pela mesma. Enfim.
Dei a volta, entrei na outra fila e o espectaculo era o mesmo. Editoras, livros, autores, canetas, hamburguers, cerveja, batatas fritas, gelados, uma verdadeira miscelânea de saberes e sabores.
Outra fila e tudo igual.
A antiga feira do livro, onde os livros eram folheados, em que o seu cheiro era saboreado, em que os livros eram escolhidos, e, na maioria das vezes, até eram comprados, já não existe. Foi substituída por gente que passa correndo, de telemóvel numa mão e na outra um shot, ou um cigarro.
Aonde fica a leitura?!
Aonde fica a cultura?!
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
14-06-2018
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Perder Não é Fácil
Quando a revolta se instala por não saber perder, vale tudo.
Inventar, mentindo. Fazer nosso o que é dos outros, e por vezes, ainda os acusar de plágio. Contar, o que não nos contaram, criando inimizades e intrigas. Apoderar-se do que não é seu, por exemplo, ideias, dizendo que é seu por inteiro. Fazendo e desfazendo. Enfim, vale tudo, tudo mesmo. E quando esse tudo não resulta, a revolta aumenta.
Para mim, este tipo de gente, para além de serem pessoas sem escrúpulos, sem nível, sem educação, são pessoas fracas de espírito e inseguras, que quando não conseguem chegar onde sonharam, espezinham os que o conseguem.
Será que chegam longe?! Talvez! Com as suas artimanhas vão longe, pelo caminho, deixam a verdade e a sincera amizade, pois esta, só existe se “fizeres o que eu quero, como eu quero, e, me deres os teus louros como sendo meus”. Para mim, verdadeira amizade é precisamente o contrário, enfim.
Na…. Assim não quero ir longe, quero ficar no meu canto, no caminho da amizade e da verdade.
Maria Antonieta Oliveira
AVOZITA
06-06-2018
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